Minha mão ainda dói, lateja na realidade!
Mais que no braço e rosto, marcas na alma!
Quanto tempo perdido, encontrado, esmiuçado..
Quanto carinho, amor, risadas, respeito...
Perdidos...
Um vazio, um oco, a ser preenchido quiçá quando?
Brincava de ser feliz, ser igual, ser mulherzinha...
Não me entendam mal: até pra ser mulherzinha precisa ser forte!
Aguentar o peso do poder da sociedade machista não é pouco, transfigurado naquilo que deveria ser parceiro!
Mas resignar-se é para poucos, poucas como eu...
"Vai, desce do carro!"
E o pior que não quis ir...
Por que mesmo?
Se já havia vazio, desrespeito?
A gente perde tudo quando perde a razão e serenidade...
Me transformo (assim mesmo "me" antes) em algo que não quero.
Não, você não consegue extrair o melhor de mim...
Não, eu não sou daqui (da cidade, desta sociedade)
Fui cunhada para viver em um mundo que não precise de mentiras, pois sou idiota de tão sincera!
Mas que no dia que elas sejam contadas seja por necessidade, para não fazer sofrer e mais: serem logo desvendadas... Porque passageiro e dispensável!
Para viver num mundo de entregas, pois já venho embrulhada para presente, é só você me abrir um sorriso!
Viver num mundo que não seja necessário encarar com falsidade pessoas que não gostam de mim, pois sou transparente!
E opaqueci (perdoem o neologismo) de tão sujo os contextos cotidianos...
Vazio, na alma e no olhos, secaram... Há tempos...