O vento sequer soprou mais forte ou as folhagens balançaram...
A porta, entreaberta, à espera de não-sei-bem-o-quê foi trincada quando da sua passagem...
Neste momento se fez o tufão, os quadros ficaram em desordem nas paredes, os objetos flutuavam, como num balé!
E fiquei a observar tudo bem de perto: como que a convite para que o caos se fizesse presente!
Não me opus! Não por saber que era mais forte, mas por gostar da sensação...
Perigo, fascínio!
Quando, somente após alguns segundos, pude perceber que os alicerces estavam ruindo e o teto desmoronando sob minha cabeça foi que reagi:
Corri para porta, tentei fechá-la.
Em vão...
Agora tudo girava sobre mim: sofás, quadros, luminárias, álbuns, fotos, estantes...
Inicialmente gritei, pedi, implorei para que parasse, tentei puxar as coisas e colocá-las no local!
Em vão...
Elas retornavam a cada vez para o olho do furação...
Minha voz se perdia no tumulto!
De repente, elas caem!
Obviamente, nada em seu lugar!
Ao ver tudo desmoronado,
a angustia se apoderou de mim, dividindo com ela a exaustão!
Não pude mais reagir: encolhi-me a um canto.
Chorei...
Desesperadamente...
Compulsivamente...
E ali permaneci, imóvel, absorta em pensamentos que tentavam entender o que havia ocorrido.
E ali permaneci...
muito, muito tempo!
Hoje, as coisas estão em seu lugar...
Exceto por uns quadros que se perderam na confusão.
Exceto por uns vasos remendados.
Exceto por aquilo que mudei de lugar.
E continuo ali, parada
Esperando (e desejando) o próximo tufão!
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