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sexta-feira, fevereiro 19

A passagem

E ela me veio assim como costumeiramente chega: sem mandar sinais sequer de que viria!
O vento sequer soprou mais forte ou as folhagens balançaram...
A porta, entreaberta, à espera de não-sei-bem-o-quê foi trincada quando da sua passagem...

Neste momento se fez o tufão, os quadros ficaram em desordem nas paredes, os objetos flutuavam, como num balé!

E fiquei a observar tudo bem de perto: como que a convite para que o caos se fizesse presente!

Não me opus! Não por saber que era mais forte, mas por gostar da sensação...
Perigo, fascínio!

Quando, somente após alguns segundos, pude perceber que os alicerces estavam ruindo e o teto desmoronando sob minha cabeça foi que reagi:
Corri para porta, tentei fechá-la.

Em vão...

Agora tudo girava sobre mim: sofás, quadros, luminárias, álbuns, fotos, estantes...
Inicialmente gritei, pedi, implorei para que parasse, tentei puxar as coisas e colocá-las no local!

Em vão...

Elas retornavam a cada vez para o olho do furação...
Minha voz se perdia no tumulto!

De repente, elas caem!
Obviamente, nada em seu lugar!

Ao ver tudo desmoronado,
a angustia se apoderou de mim, dividindo com ela a exaustão!

Não pude mais reagir: encolhi-me a um canto.

Chorei...
Desesperadamente...
Compulsivamente...

E ali permaneci, imóvel, absorta em pensamentos que tentavam entender o que havia ocorrido.

E ali permaneci...
muito, muito tempo!

Hoje, as coisas estão em seu lugar...
Exceto por uns quadros que se perderam na confusão.
Exceto por uns vasos remendados.
Exceto por aquilo que mudei de lugar.

E continuo ali, parada
Esperando (e desejando) o próximo tufão!

quarta-feira, fevereiro 10

segunda-feira, fevereiro 8

Realidade

Ele sentia o sol em seu rosto: aquele sol que te acorda sutilmente de um sonhar diuturno, com olhos abertos...

Sonhava com dias melhores, mas será que eles realmente poderiam vir?

Dizem que felicidade demais estraga...

É melhor então não abusar!

Ao conseguir voltar das imagens projetadas em sua mente de um futuro, quem sabe, não tão distante ou mesmo pouco provável, onde haveria uma casa imensa com alprende e vários tucuns armados a convidar a um bom balanço ou descanso após o almoço, ladeada por vários pés-de-manga - rosa, espada - cajueiros - grandes, imensos; ornada, mais próxima, por um pequenino jardim com mini-rosas, éricas, lírios e copos-de-leite... dela. Sim, DELA!

E a passarela... ah... extensa, até o portão de entrada, seguida por palmeiras imperiais e um exuberante gramado a perder de vista...

Mas isso seria futuro, como já lhes disse!

O presente não lhe era menos caro: o sol, aquele mesmo que o acordara, refletia-se na cristalina água à sua frente, naquele paraíso, cobrindo-a de um manto dourado, quem sabe de paetês, bordado delicadamente pelas horas que passavam arrastadas...

A areia, branca como no local da música do Caetano, acariciava seus pés, massageando-os...

Na outra margem, o verde firme desmantelava-se ao ser capturado pela água...

Respirou fundo! Então a viu... ao seu lado... ao alcance de sua mão...

Não seria bom que o sonho acabasse ali! Melhor não ousar tocar!

Cauteloso, como se ao seu mínimo olhar fosse despertá-la, contemplou:

Seus pés, pequeninos, delicados, em perfeita harmonia com suas pernas torneadas que, como ele mesmo gostava de se vagloriar, estavam mais bonitas desde que ele as tocara...

Suas ancas, salientes, seguidas pela delgada cintura, aquela mesma cintura que chamou sua atenção pela primeira vez quando, um dia, ela se espreguiçara e deixara inocentemente revelar algo mais sob sua calça jeans...

...adorava tomá-la em seus braços, comprimindo o corpo dela contra o seu, sentindo seus seios, seu calor, percebendo como tinham um encaixe perfeito!

E seus ombros, aqueles largos ombros morenos que a tornavam imperial, com postura impecável de uma princesa, moldados, segundo ela, em seus anos de natação.

Ombros que eram costumeiramente encobertos pelos longos cabelos negros, um tanto iluminados em suas pontas pelo sol daqueles dias de lazer!

Seu pescoço, esguio, arrematado em sua nuca, sabidamente seu ponto fraco, a exalar perfumes que, por vezes, o deixaram sem fôlego...

Seu queixo, com o mais perfeito sinal, pensando ele, há um certo tempo, ser desenhado diariamente por puro charme, uma forma de chamar atenção, talvez!

Sua boca... ah, aquela boca! Dona de um beijo tão ardente, tão sedutor, tão...

- Meu bem?!

E ela então abriu seus olhos: negros olhos grandes, expressivos!

Ele aprendera exatamente o que aqueles olhos queriam dizer, sempre! Mesmo ela querendo disfarçar por vezes sua raiva ou tristeza...

Ela sorriu, levantou-se e sentou ao seu lado...

Seus olhos tentavam ler os dele, como imaginando o que estava pensando...

- Seu bobo... Me deixou dormir! Devia ter me chamado...

Beijaram-se...

O mais saboroso e tenro beijo...

E o mais sincero!

Realmente estava acordado! E como era bom continuar sonhando!

quinta-feira, fevereiro 4

Tum tum

Tum!
Clap, clap, clap...
Click!

Ufa...
A respiração pesarosa de chegar em casa depois de um dia exaustivo!
A certeza do encontro do refúgio tão esperado!

Chuáááá

Quem mesmo a colocou em uma máquina de sugar energias?
Ou então colocaram-na próxima de algum daqueles monstros dos desenhos que se alimentam da vivacidade alheia!

Monstro chamado rotina.
Seria bem isso?

Imersa em sua cama, lendo seu mais recém adquirido romance contemporâneo, lutava contra o sono para continuar lendo!

Triiiiiiiiiiiiiimmmm!!!

- Ooooi? Quem? Não, não, engano! É, é sim! Aaaaah... hehehe. Há quanto tempo!!! Pois é, foi isso mesmo! Passei! Nem sei! Mas começa em março. Isso! Brigada! E as suas novas?

Blim Blom

- Quem é a essa hora? Espera, tão tocando aqui...

- Ah, é uma pizza que os vizinhos pediram, a campainha deles está quebrada! Vou lá! Espera! Ah, não... Já estão indo!

...

- Pois foi muito bom conversar contigo, colocar os assuntos em dia, desabafar um pouco! Isso, Beijos! Bom Carnaval pra você também... É, pois é, hehehe, vamos ver se eu aguento! kkkkk Pode deixar! Beijos!

Voltou ao seu livro (Nem pensei que fosse tão bom, tá aí porque foi um sucesso de venda...)

Triiiiiiiiimmmmmmm

- Ah, oi amiga... É, é... Tô morta, o dia hoje foi que foi! Ah é? Que legal, tomara que ainda tenham vaga! hehehe. Pois te ligo amanhã pra saber tá? Beeeeijo...

E novamente para cama.... O livro já pesava umas três vezes mais...

Triiiiiimmmmm

Tum, tum...
Tum, tum....
Tum, tum....

- Ooooooiiii!!!! hehehe
É? Foi, mas tava desligado! E tá aonde? Vem direto? Tá certo então! Beeeijo!!!

Ao livro!
"Mas ora, ora... que coisa horrível! Esses homens...! Afff.... - E o pior é que ninguém está imune a isso! É..."

Tum!
Clap, clap, clap...
Smaaaack!

- Ooooiiii! Saudades! É, novo! Isso, vem! Hum.... ow cheeeiro! Hehehe
É, é verdade....

E aninhou-se em seus braços, encontraram o maior e mais espaçoso lugar naquela cama pequena! Sem poemas! Calor, braços, aconchego!

Enfim, sua recompensa!